A guerra na Ucrânia tem como raiz o cerco militar do imperialismo à Rússia e seu prolongamento é de responsabilidade das potências imperialistas. Confirma-se que a burguesia imperialista responde à crise de superprodução com a destruição de vidas, riquezas já produzidas e o incremento da fome e miséria no mundo inteiro. Sob o capitalismo não há outra forma de superar as crises que não seja destruindo forças produtivas. Nessa mesma direção, o imperialismo norte-americano está preparando outra agressão bélica, desta vez contra a China a pretexto de defender Taiwan. As guerras são as formas mais “eficientes” de destruir forças produtivas em massa, inclusive a vida dos trabalhadores, que é principal força produtiva.
No Brasil e no mundo, a fome e a miséria se alastram e atingem bilhões de pessoas. Só no Brasil, em 2022, segundo o 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, 60% das famílias passaram por algum grau de insegurança alimentar, sendo, neste contingente, 33,1 milhões de pessoas não têm o que comer. A inflação corrói o poder aquisitivo dos trabalhadores, e afeta todos os países. Outra face da crise é o alto desemprego e o ataque às condições de vida das massas mediante a redução de salários, aposentadorias e destruição de direitos trabalhistas e sociais.
Os trabalhadores reagem instintivamente, mas não encontram em lugar nenhum uma direção que unifique suas lutas por suas reivindicações mais básicas e, muito menos, que avance na direção de liquidar o mal pelo raiz: acabar com a ditadura da burguesia, expropriar a grande propriedade privada capitalista e substituí-la pela propriedade social. Pelo contrário, as burocracias sindicais e as correntes de esquerda se colocam claramente para salvar o apodrecido regime burguês. Ao invés de encarnarem a luta de classes em defesa das massas, assumem a colaboração de classes, boicotam as greves, dividem as lutas e colaboram com os patrões que fecham fábricas.
Na atual conjuntura, essas direções usam as eleições para desviar as massas do caminho da luta pelas suas necessidades urgentes. É essa mesma esquerda que costuma se regozijar com a vitória eleitoral dos reformistas no Chile, no Peru e agora na Colômbia, que uma vez no poder, invariavelmente acatam todas as imposições do imperialismo, defendem a grande propriedade privada capitalista e atacam as massas, tal como foram os treze anos de governo do PT no Brasil.
Da continuidade do regime capitalista os trabalhadores sabem que não podem esperar nenhuma saída que não seja mais desemprego, fome e miséria. Entretanto, estão contidos por suas direções atuais, sejam reformistas ou centristas. É assim que se manifesta a crise de direção revolucionária do proletariado.
A CPE, corrente do Partido Operário Revolucionário defende que as centrais e sindicatos convoquem um verdadeiro dia nacional de lutas, com paralisações e bloqueios, por empregos, salários, direitos e contra as privatizações, como passo na construção da greve geral. E, junto ao Comitê de Enlace pela Reconstrução da Quarta Internacional (CERQUI), trabalha pelo levante mundial dos oprimidos contra o capital e pelo socialismo, única saída progressiva da crise capitalista. Em resposta à guerra, estamos em campanha pelo fim imediato da guerra, desmantelamento da OTAN e das bases militares norte-americanas, revogação das sanções econômico-financeiras à Rússia; autodeterminação, integridade territorial e retirada das tropas russas da Ucrânia. Essas são as bandeiras capazes de unir a classe operária ucraniana, russa e europeia, como parte da unidade da classe operária internacional.

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