quinta-feira, 23 de junho de 2022

Retorno 100% presencial nas universidades: como defender as condições de trabalho e de estudo

 Nas universidades públicas, o prolongamento da suspensão das aulas presenciais serviu como adaptação aos cortes orçamentários e à expansão do ensino à distância. Os professores universitários, assim, dentro do universo de assalariados, puderam usufruir por mais tempo da orientação de "ficar em casa", o que nunca foi realidade para a massa de informais e categorias ditas essenciais e que durou pouco para os demais assalariados. Como a política burguesa do isolamento social já havia fracassado, os contágios de docentes seguiram ocorrendo fora dos locais de trabalho, assim como o de estudantes, cujas famílias, em geral, não puderam "ficar em casa".

Após o retorno parcial nas Universidades e Institutos Federais, sujeito às decisões das burocracias universitárias, agora os governos estaduais e o federal impuseram o retorno compulsório nas Universidades. Sem organização própria, presencial, as comunidades escolares não tiveram como impor as condições de trabalho e estudo adequadas, estando sujeitas às determinações dos governos e reitorias. As direções sindicais fizeram questionários, manuais de protocolos de biossegurança, ou até mesmo "greves sanitárias", que não passaram de boicotes individuais ou prolongamento do trabalho remoto.

O fato é que o retorno presencial é uma realidade para todo o país e para as universidades. Nenhuma posição que defenda apenas os interesses dos professores universitários terá eco no conjunto da sociedade e mesmo da comunidade universitária, já que os estudantes, que compõem a sua maioria, sofreram enormemente com o ensino remoto sem que isso tenha sido suficiente para proteger sua saúde, dadas as condições de moradia e a realidade social de suas famílias.

Assim, nossa posição deve ser: a) Nenhum retorno ao ensino remoto (Ensino a Distância), que representa a destruição da educação e das condições de ensino; b) As condições de biossegurança em cada campus universitário, em cada unidade acadêmica, só podem ser conquistadas por meio da luta coletiva, presencial, do conjunto da comunidade universitária e fazem parte das condições de trabalho e de estudo, que, no atual momento, têm sido destruídas pelos cortes e bloqueios de recursos; c) As reivindicações para garantir as condições de trabalho e de saúde devem ser levantadas em cada unidade, em cada campus universitário, e devem concluir com as assembleias gerais universitárias, nas quais os três setores mobilizados podem exigir das burocracias universitárias os recursos que são necessários para criar as condições de trabalho e estudo, dentre elas as de biossegurança, para estudantes, professores, técnicos e terceirizados.

Levantar as reivindicações, organizar os setores, organizar a Assembleia Geral Universitária e, assim, colocar contra a parede as burocracias universitárias e os governos que devem fornecer os meios para o trabalho, o estudo e a saúde de toda comunidade, o que só poderá ser conquistado pela mobilização coletiva e pelos métodos próprios dos trabalhadores, que são as assembleias, passeatas, atos, e greve.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Em defesa da democracia sindical - Solidariedade aos delegados do SINDIFES perseguidos pela direção do sindicato (UNIR/CUT)

A Corrente Proletária na Educação - CPE/POR , manifesta total solidariedade aos companheiros Jane Marangon e Erivelton Ferraz, que estão sof...