Nas universidades públicas, o prolongamento da suspensão das aulas presenciais serviu como adaptação aos cortes orçamentários e à expansão do ensino à distância. Os professores universitários, assim, dentro do universo de assalariados, puderam usufruir por mais tempo da orientação de "ficar em casa", o que nunca foi realidade para a massa de informais e categorias ditas essenciais e que durou pouco para os demais assalariados. Como a política burguesa do isolamento social já havia fracassado, os contágios de docentes seguiram ocorrendo fora dos locais de trabalho, assim como o de estudantes, cujas famílias, em geral, não puderam "ficar em casa".
Após o retorno parcial nas
Universidades e Institutos Federais, sujeito às decisões das burocracias
universitárias, agora os governos estaduais e o federal impuseram o retorno
compulsório nas Universidades. Sem organização própria, presencial, as
comunidades escolares não tiveram como impor as condições de trabalho e estudo
adequadas, estando sujeitas às determinações dos governos e reitorias. As
direções sindicais fizeram questionários, manuais de protocolos de
biossegurança, ou até mesmo "greves sanitárias", que não passaram de
boicotes individuais ou prolongamento do trabalho remoto.
O fato é que o retorno
presencial é uma realidade para todo o país e para as universidades. Nenhuma
posição que defenda apenas os interesses dos professores universitários terá
eco no conjunto da sociedade e mesmo da comunidade universitária, já que os
estudantes, que compõem a sua maioria, sofreram enormemente com o ensino remoto
sem que isso tenha sido suficiente para proteger sua saúde, dadas as condições
de moradia e a realidade social de suas famílias.
Assim, nossa posição deve
ser: a) Nenhum retorno ao ensino remoto (Ensino a Distância), que representa a
destruição da educação e das condições de ensino; b) As condições de
biossegurança em cada campus universitário, em cada unidade acadêmica, só podem
ser conquistadas por meio da luta coletiva, presencial, do conjunto da
comunidade universitária e fazem parte das condições de trabalho e de estudo,
que, no atual momento, têm sido destruídas pelos cortes e bloqueios de
recursos; c) As reivindicações para garantir as condições de trabalho e de
saúde devem ser levantadas em cada unidade, em cada campus universitário, e
devem concluir com as assembleias gerais universitárias, nas quais os três
setores mobilizados podem exigir das burocracias universitárias os recursos que
são necessários para criar as condições de trabalho e estudo, dentre elas as de
biossegurança, para estudantes, professores, técnicos e terceirizados.
Levantar as reivindicações,
organizar os setores, organizar a Assembleia Geral Universitária e, assim,
colocar contra a parede as burocracias universitárias e os governos que devem
fornecer os meios para o trabalho, o estudo e a saúde de toda comunidade, o que
só poderá ser conquistado pela mobilização coletiva e pelos métodos próprios
dos trabalhadores, que são as assembleias, passeatas, atos, e greve.
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