terça-feira, 24 de maio de 2022

Campanha salarial da ADUERN: onde estão os 200%?

             No congresso do Andes mais recente, os delegados da Sessão Sindical da Aduern, afirmaram que a defasagem da categoria estava em mais de 200%. Realmente, na direção anterior da Aduern, quando Patrícia Barra era presidente, a comissão que estudou o índice da categoria naquela época, apontava para uma defasagem salarial de 280%.

            Porém, quando foi definir o índice de reajuste da campanha salarial desse ano, a direção, primeiro, se sustentou no estudo de uma comissão que trouxe três índices diferentes: 109%, considerando o artigo 11 do Plano de Cargos Carreira e Salários (PCCS) anterior, de 1989; 79% considerando a defasagem salarial docente desde 2014; e 67% em virtude da inflação do mesmo período.

            A direção atual da Aduern é de membros do PT e PCdoB. O governo do Estado é do PT e o vice-governador do PCdoB, Fátima Bezerra e Antenor Roberto, respectivamente. A direção esqueceu os mais de 200% e defendeu o menor índice, 67%, porque atua como agente do governo no seio da categoria. As direções sindicais da esquerda oficial e oficialistas, tentam aprovar o menor índice possível no intuito de cooperar com seus governos ou fazer o que chamam de “sindicalismo do possível”. O possível para esses senhores é o que cabe na administração do Estado burguês dos seus governos e do governo dos patrões. E não os direitos dos explorados. Na iminência de perder a votação na assembleia, a direção abriu mão de sua posição em defesa da luta pelo índice de reajuste salarial de 80%.

O artigo 11 do PCCS de 1989 determina que o maior salário da educação básica é o salário base do docente da UERN em início de carreira com 20h. Esse PCCS foi substituído por um novo onde o artigo 11 foi retirado. Portanto, a categoria teve uma perda em seus direitos sem demonstração de indignação. Mas mesmo quando era Lei, nenhuma direção da Aduern defendia esse artigo. O artigo 11 do PCCS de 1989 determinaria um aumento de cerca de mais de 200% no salário atual.

Os docentes da UERN se quiserem defender seus direitos e pararem de rebaixá-los diante dos governos, precisa superar o “sindicalismo do possível” e construir novas direções sindicais, verdadeiramente de luta, ou seja, construir as frações revolucionárias como futuras alternativas para as direções de seus sindicatos.

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