A guerra na Ucrânia se aproxima dos três meses e tudo indica que irá se prolongar. Os EUA destinaram U$40 bilhões para municiar a Ucrânia com armas sofisticadas, países europeus também se somam a essa cruzada. Aumenta o perigo de a guerra ultrapassar as fronteiras ucranianas. O potenciamento das tendências bélicas sinaliza que a partilha do mundo pós II Guerra Mundial se esgotou. A guerra comercial é expressão desse esgotamento e agigantamento do parasitismo financeiro. A burguesia responde a suas crises com a destruição massiva de forças produtivas, como testemunham as ruínas do Iraque, Líbia, Afeganistão e Iêmen.
O profundo retrocesso da classe
operária internacional, cujos marcos são a degeneração do Estado operário
soviético, a destruição da III Internacional, e a desintegração da URSS, se
reflete na perda de antigas conquistas e, sobretudo, na crise de direção
revolucionária. A desintegração do capitalismo, porém, recoloca objetivamente a
necessidade de uma resposta internacionalista e classista. Por isso, a Corrente
Proletária da Educação, corrente sindical do Partido Operário Revolucionário,
ergue alto as bandeiras da campanha do Comitê de Enlace pela Reconstrução da
Quarta Internacional (CERQUI): fim imediato da guerra, desmantelamento da
OTAN e das bases militares norte-americanas, revogação das sanções
econômico-financeiras à Rússia; autodeterminação, integralidade territorial e
retirada das tropas russas da Ucrânia. Essas são as bandeiras capazes de unir a
classe operária ucraniana, russa e europeia, como parte da unidade da classe
operária internacional.
Alta no custo de vida e tendências de luta
A guerra alimenta as tendências de estagnação das economias e generaliza a disparada inflacionária. A alta nas taxas de juros amplia o peso da dívida pública nos países semicoloniais ao mesmo tempo em que serve de base para os governos justificarem as contrarreformas e cortes orçamentários. A carestia combinada com a gigantesca massa de desempregados e subempregados, intensifica e expande a fome. Desde a crise de 2008, as massas vêm sendo fustigadas, a pandemia foi mais um dos flagelos. Mal arrefeceu a mortandade pelo coronavírus, a guerra e os efeitos das sanções econômicas norte-americanas contra a Rússia e a economia mundial, tornaram-se o novo cenário de ataque do capital às condições de vida das massas.
A combinação de desemprego, fechamento de fábricas, salários defasados diante da alta dos combustíveis e alimentos, destruição de direitos trabalhistas, e privatizações tem lançado setores das massas à luta. A greve da Companhia Siderúrgica Nacional mostra a forte disposição da luta, capaz de passar por cima da direção traidora da Força Sindical, criar um comitê de base e não se dobrar diante da repressão patronal e judicial. As demais centrais sindicais, porém, têm mantido as greves que despontam isoladas, seja nas fábricas, seja no funcionalismo público, como foi o caso da greve do INSS.
Nenhuma ilusão nas eleições
Mesmo sem nenhum amparo na realidade, as direções sindicais e políticas arrastam as massas para as ilusões eleitorais. Respondem a cada reivindicação das massas com a promessa de um novo governo, saído das urnas em outubro de 2022. Reafirmam a centralidade do "Fora Bolsonaro". Dizem que não basta eleger Lula, mas também bancadas progressistas no parlamento. Escondem das massas que um novo governo burguês, saído das eleições, será incapaz de fazer frente à ofensiva do imperialismo. Que só as massas em movimento, com suas próprias reivindicações e métodos, podem se defender e criar condições para sua própria estratégia de poder. Escondem também a responsabilidade da política de conciliação de classes
As esquerdas no Brasil comemoraram cada vitória dos "progressistas" no mundo e América Latina. Celebraram a vitória de Biden, como novos ares. Depositaram ilusões nos governos de Castillo, no Peru, e de Boric, no Chile, que já reprimem as massas que lutam contra a alta do custo de vida. As ilusões só atrasam a tarefa de organizar a luta no campo da independência de classe, pelas reivindicações mais elementares de empregos, salários e direitos.
Está na ordem do dia quebrar o
isolamento das greves que despontam e exigir das centrais e sindicatos a
realização de um verdadeiro dia nacional de lutas, com paralisações e
bloqueios, que é parte da construção de uma greve geral.

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